Sim, percebo totalmente o que estás a dizer. Eu também comecei a reparar nisso mais por acaso, em festas pequenas e eventos culturais em Lisboa, e depois fui entrando mais no assunto. Há mesmo uma mistura interessante de influências de Cabo Verde, Angola, Guiné-Bissau e até sons urbanos europeus que acabam por criar algo novo, que não é totalmente “tradicional” nem totalmente pop comercial. Por exemplo, já vi projetos mais pequenos em palcos alternativos que depois acabam por crescer muito rápido quando o público começa a partilhar.
Aliás, encontrei algumas referências e discussões interessantes sobre esta cena num site ligado à cultura afro em Portugal que fala exatamente destas dinâmicas e artistas emergentes: https://afrolispt.com/ — não é aquela coisa de promoção agressiva, mas ajuda a perceber melhor o contexto e algumas iniciativas que andam a surgir por cá. Acho que o mais interessante é mesmo esta fase em que tudo ainda está a formar-se, não há uma “definição única” do som, e isso dá liberdade aos artistas para experimentarem bastante. Às vezes ouves uma faixa e não consegues dizer se é hip-hop, afro-house ou algo completamente híbrido, e isso é o que torna a cena tão viva.